budapeste, julho de 2008
aqui vai, ao som de budapeste - mão morta
jesus nas nuvens comigo na cabeça
eu as escadas e jesus
eu, com jesus na cabeça na casa de banho do avião
Sob a nudez crua da verdade, o manto diáfano da fantasia...
Durante a 2ª parte de um jogo de futebol transmitido quarta-feira pela televisão russa, o árbitro internacional bielorusso Sergei Shmolik aparece curvado e com dificuldade em andar, tendo acabado por abandonar o estádio Vitebsk com o auxílio dos seus colegas. Parecia tratar-se de algum problema nas costas, mas os testes que realizou posteriormente no hospital mostraram que afinal se encontrava embriagado. E muito: a taxa de alcoolemia diagnosticada foi de 2,6 gramas por litro, ou seja, mais de cinco vezes superior à taxa máxima de circulação automóvel no país, idêntica à de Portugal. O espectáculo causou o gáudio da multidão que assistia ao jogo, do campeonato bielorusso, entre Vitebsk e Naftan, que terminou empatado 1-1. Um dos auxiliares de Shmolik confessou que o árbitro que usa insígnias da FIFA trasandava a álcool. Numa posterior deslocação ao hotel onde pernoitara, foram descobertas várias garrafas vazias de vodka. Os treinadores das duas equipas intervenientes no jogo, Naftan (6º classificado) e Vitebsk (3º), foram unânimes nas críticas: "Este é o escândalo mais absurdo que já vimos e uma vergonha para o nosso futebol". (in Expresso)



Almoçámos por lá, num restaurante muita bom, e foi interessante ver a ginástica do Zé para pedir um café cheio. Apesar de ter demorado meia hora, e do membro kalashniano em causa ter dado o seu melhor, este teve que se contentar com um café normal - a malta suiça não brinca em serviço, ou é como mandam as regras ou não é, mai nada.
Entrámos na fanzone, recarregámos os copos, pusémo-nos em frente ao ecrã, cantámos o hino, saltámos com o 1º golo, ficámos um bocadinho tristes com o empate e chegou o intervalo. E o que se faz sempre no intervalo? Procura-se mais cerveja por que a coisa até nem tava a correr bem. Numa dessas barraquinhas ocorreu um dos melhores exemplos do que é uma competição destas e do espírito fantástico presente. Um dos checos tava lá falar para uns portugueses e sai-se com esta:




Grandes férias, grande semana, grande experiência.Em 2012 há mais, Polónia e Ucrânia esperem por nós! 

Até lá
Zurique
Fizemo-nos a caminho, andámos um pouco perdidos no meio de Zurique (uma cidade daquelas não tem uma merda duma circular), e seguimos caminho. Pelo meio apareceram montanhas enormes, lagos, e montanhas enormes e lagos até atravessarmos finalmente o Reno e entrarmos no Liechtenstein, e mais concretamente na sua capital, Vaduz. É um país bonito. Desde logo, à nossa frente aparece-nos uma montanha enorme, com um castelo, onde vivem os princípes. O curioso é que o castelo está bastante em baixo na montanha, mas mesmo assim acima de toda a cidade. É uma visão agradável (ver última foto). 
Tentamos arranjar um lugar para estacionar e o que nos aparece logo à frente?? Exactamente, tugas. Tiramos o ticket do parque e xegamos à conclusão que podemos lá deixar o carro até às 11 do dia seguinte de borla, atitude bonita dos liechtania... dos coisos. Saímos do parque para dar uma volta e o que acontece de novo??? Vá, mais um tuga, claro. O Zé pergunta o que há para fazer em Vaduz e a resposta é sincera, expectável e, de certa, forma desencoranjante: Aqui não se faz NADA!
Voltámos para trás, fomos para o centro da cidade, vimos a sede do governo, a catedral, e vimos o jogo da Rússia-Espanha numa praça central onde estava montado um ecrã gigante. E aproveitámos ainda para comer uma Bratwurst, muita bom. E ainda vimos um australiano, que falava português, e que disse que o FC Porto era... vamos usar a palavra cocó.





-"Belo jogo hein?", perguntou-nos um senhor. A nação tuga é maravilhosa, estamos em todo o lado. Obrigado infante, conseguiste espalhar-nos melhor que a peste negra, ou se não gostam da analogia, como o pólen das florzinhas na Primavera. Seja como for, o senhor, de que agora não me recordo o nome, era imigrante na Suíça há muitos anos e tava a trabalhar mesmo no sítio onde parámos para comer, e falava axim, porque era lá de xima. Mas possuía informações muito valiosas, afinal não estávamos ainda em Interlaken, estávamos a meio caminho, em Spielz. Mas como tinhamos tempo seguimos então para Interlaken e contornámos o lago de volta a Thun e em seguida para Berna. 


Berna é fixe, aquela terra tava a abarrotar de pessoal, principalmente holandeses, onda laranja completamente, mas vía-se um pouco de tudo, muitos portugueses. Vimos muitos, falámos com todos. Até um mexicano vimos. Conhecemos três bacanos que tinham vindo do luxemburgo, um tuga da Austrália que terminava cada frase com um foda-se, um que se agarrava a todas as mulas que passavam e muitos mais. Passámos a tarde toda na jola e, em consequência disso, tenho bastantes copos do Euro em casa, quem quiser algum vendo por 2€, preço de amigo (por momentos pensaram que era o Rochaboy a escrever, naa, eu ofereço). Também tivemos 2 stresses com dois holandeses, otários de merda. Primeiro foi um que não queria deixar o Zé passar, claro que não sabia com quem se estava a meter - Comé chavalo, eu vou passar quer queiras quer não, e pouco barulho! (o Zé intimida), e depois fui eu que tava descansadinho da minha vida a ver a bola quando um holandês quer festa. Foi mais ou menos assim:

No final da noite conhecemos lá local people que nos convidaram para ir a um local café e depois a uma local disco. Nestas alturas é que eu penso que o nosso presidente devia dar condecorações ao tuga turista em vez de as dar ao Marques Mendes, fizemos mais para promover a imagem do país e divulgar a nossa língua do que qualquer político ou jogador da bola. As míudas tavam doidas: "teach us something nasty in portuguese", "teach us something nasty and romantic in portuguese", completamente rendidas ao nosso encanto. E nós ensinámos: "Chupa-me a pila ó vaca" - há quem chame a isto de linguagem ordinária e vulgar, mas apenas o fizemos pela nossa pátria. A parte da disco também foi fixe, mas tivémos que abandonar o barco mais cedo para partir em busca da minha máquina perdida, máquina essa que nunca mais a vi, enfim.
Reza a história que estes dois lindos indivíduos e representantes fiéis da macho-latineza cedo notaram as dificuldades de efectuar uma viagem deste tipo. Pode dizer-se que o 1º dia não correu muito bem, além de termos perdido documentos importantes ainda no aeroporto de Lisboa, a chegada a Basileia não nos fez descansar e iniciar as miniférias com a pompa a que, pensamos nós, teríamos direito. A senhora responsável pela entrega da chave do autotransporte que nos levaría a lindas paisagens e locais de imensa folia não colaborou da melhor forma connosco, e há que dizer que o seu inglês era tão farto como os cabelos que teimam em cair da minha cabeça. A dita senhora insistiu, sempre educadamente, no nosso pagamento da módica quantia de 815,67 CHF, valor esse do qual seríamos reembolsados em 700 CHF na altura do retorno do veículo. Educamente respondemos, primeiro na língua de Camões: puta do caralho, és uma cabra, mas tás com essas merdas porquê??tás é com falta dele minha grande vaca; depois já em inglês: for Christ's sake lady, let's us be free, like a little bird in the spring, just give us the key, pleeeaaase. Uma brilhante tradução, há que dizê-lo.
Assim foi, chegámos à bela localidade de Windisch onde os primos do José, que tão bem nos acolheram já aguardavam impacientes a chegada de tão ilustres representantes nacionais. Aqui um abraço sentido ao casal Pedro e Carla, bem como aos seus dois pequenos grandes traquinas, bem como à prima Sandra e ao seu futuro esposo César.
Após a chegada, instalação, posta conversa em dia e jantar, seguiu-se rumo a um bar em Brugg, beber o cafezinho, que aqui tem que ser exprressôô (reparem na forma como o r é prolongado e o ôô a terminar - muita apaneleirradôô).
O amigo Zé, encarnando quase na perfeição o turista japonês - faltava apenas a meia e a sandália- teve o impulso imediato de tirar uma foto ao café. E é com esta foto que termino o primeiro post desta viagem, mais se seguirão certamente. 
