
Até lá
Sob a nudez crua da verdade, o manto diáfano da fantasia...

Até lá
Zurique
Fizemo-nos a caminho, andámos um pouco perdidos no meio de Zurique (uma cidade daquelas não tem uma merda duma circular), e seguimos caminho. Pelo meio apareceram montanhas enormes, lagos, e montanhas enormes e lagos até atravessarmos finalmente o Reno e entrarmos no Liechtenstein, e mais concretamente na sua capital, Vaduz. É um país bonito. Desde logo, à nossa frente aparece-nos uma montanha enorme, com um castelo, onde vivem os princípes. O curioso é que o castelo está bastante em baixo na montanha, mas mesmo assim acima de toda a cidade. É uma visão agradável (ver última foto). 
Tentamos arranjar um lugar para estacionar e o que nos aparece logo à frente?? Exactamente, tugas. Tiramos o ticket do parque e xegamos à conclusão que podemos lá deixar o carro até às 11 do dia seguinte de borla, atitude bonita dos liechtania... dos coisos. Saímos do parque para dar uma volta e o que acontece de novo??? Vá, mais um tuga, claro. O Zé pergunta o que há para fazer em Vaduz e a resposta é sincera, expectável e, de certa, forma desencoranjante: Aqui não se faz NADA!
Voltámos para trás, fomos para o centro da cidade, vimos a sede do governo, a catedral, e vimos o jogo da Rússia-Espanha numa praça central onde estava montado um ecrã gigante. E aproveitámos ainda para comer uma Bratwurst, muita bom. E ainda vimos um australiano, que falava português, e que disse que o FC Porto era... vamos usar a palavra cocó.





-"Belo jogo hein?", perguntou-nos um senhor. A nação tuga é maravilhosa, estamos em todo o lado. Obrigado infante, conseguiste espalhar-nos melhor que a peste negra, ou se não gostam da analogia, como o pólen das florzinhas na Primavera. Seja como for, o senhor, de que agora não me recordo o nome, era imigrante na Suíça há muitos anos e tava a trabalhar mesmo no sítio onde parámos para comer, e falava axim, porque era lá de xima. Mas possuía informações muito valiosas, afinal não estávamos ainda em Interlaken, estávamos a meio caminho, em Spielz. Mas como tinhamos tempo seguimos então para Interlaken e contornámos o lago de volta a Thun e em seguida para Berna. 


Berna é fixe, aquela terra tava a abarrotar de pessoal, principalmente holandeses, onda laranja completamente, mas vía-se um pouco de tudo, muitos portugueses. Vimos muitos, falámos com todos. Até um mexicano vimos. Conhecemos três bacanos que tinham vindo do luxemburgo, um tuga da Austrália que terminava cada frase com um foda-se, um que se agarrava a todas as mulas que passavam e muitos mais. Passámos a tarde toda na jola e, em consequência disso, tenho bastantes copos do Euro em casa, quem quiser algum vendo por 2€, preço de amigo (por momentos pensaram que era o Rochaboy a escrever, naa, eu ofereço). Também tivemos 2 stresses com dois holandeses, otários de merda. Primeiro foi um que não queria deixar o Zé passar, claro que não sabia com quem se estava a meter - Comé chavalo, eu vou passar quer queiras quer não, e pouco barulho! (o Zé intimida), e depois fui eu que tava descansadinho da minha vida a ver a bola quando um holandês quer festa. Foi mais ou menos assim:

No final da noite conhecemos lá local people que nos convidaram para ir a um local café e depois a uma local disco. Nestas alturas é que eu penso que o nosso presidente devia dar condecorações ao tuga turista em vez de as dar ao Marques Mendes, fizemos mais para promover a imagem do país e divulgar a nossa língua do que qualquer político ou jogador da bola. As míudas tavam doidas: "teach us something nasty in portuguese", "teach us something nasty and romantic in portuguese", completamente rendidas ao nosso encanto. E nós ensinámos: "Chupa-me a pila ó vaca" - há quem chame a isto de linguagem ordinária e vulgar, mas apenas o fizemos pela nossa pátria. A parte da disco também foi fixe, mas tivémos que abandonar o barco mais cedo para partir em busca da minha máquina perdida, máquina essa que nunca mais a vi, enfim.
Reza a história que estes dois lindos indivíduos e representantes fiéis da macho-latineza cedo notaram as dificuldades de efectuar uma viagem deste tipo. Pode dizer-se que o 1º dia não correu muito bem, além de termos perdido documentos importantes ainda no aeroporto de Lisboa, a chegada a Basileia não nos fez descansar e iniciar as miniférias com a pompa a que, pensamos nós, teríamos direito. A senhora responsável pela entrega da chave do autotransporte que nos levaría a lindas paisagens e locais de imensa folia não colaborou da melhor forma connosco, e há que dizer que o seu inglês era tão farto como os cabelos que teimam em cair da minha cabeça. A dita senhora insistiu, sempre educadamente, no nosso pagamento da módica quantia de 815,67 CHF, valor esse do qual seríamos reembolsados em 700 CHF na altura do retorno do veículo. Educamente respondemos, primeiro na língua de Camões: puta do caralho, és uma cabra, mas tás com essas merdas porquê??tás é com falta dele minha grande vaca; depois já em inglês: for Christ's sake lady, let's us be free, like a little bird in the spring, just give us the key, pleeeaaase. Uma brilhante tradução, há que dizê-lo.
Assim foi, chegámos à bela localidade de Windisch onde os primos do José, que tão bem nos acolheram já aguardavam impacientes a chegada de tão ilustres representantes nacionais. Aqui um abraço sentido ao casal Pedro e Carla, bem como aos seus dois pequenos grandes traquinas, bem como à prima Sandra e ao seu futuro esposo César.
Após a chegada, instalação, posta conversa em dia e jantar, seguiu-se rumo a um bar em Brugg, beber o cafezinho, que aqui tem que ser exprressôô (reparem na forma como o r é prolongado e o ôô a terminar - muita apaneleirradôô).
O amigo Zé, encarnando quase na perfeição o turista japonês - faltava apenas a meia e a sandália- teve o impulso imediato de tirar uma foto ao café. E é com esta foto que termino o primeiro post desta viagem, mais se seguirão certamente. 

É com grande expectativa que aguardo a película de Emir Kusturica sobre Maradona. Embora só o tenha visto jogar na recta descendente da sua carreira, reconheço nele o triunfo do futebol de rua. O único futebol que eu joguei, aquele em que o dono da bola jogava sempre, aquele em que não eram precisos árbitros, guarda-redes, o mesmo número de jogadores em cada equipa, nem sequer as mesmas idades...aquele em que o jogador da jinga passava por todos, o carroceiro aviava umas belas frutas, simulávamos as faltas, a mãe chamava-nos para ir jantar, aquele onde a energia nunca faltava...Diego era isso em metro e meio! Mas toda a fragilidade que faz parte de um jogador de rua de eleição, foi a sua fatalidade, mal rodeado foi presa fácil para quem quis abusar dele e ele não teve força para dizer não...como nos nossos jogos de rua, não diziamos não a quem nos escolhia...
Maradona vai ser sempre o número um para mim!Aqui vai o trailer do filme que vem aí. Espero ter vários hinchas a meu lado na estreia a cantar
E todo o pueblo cantou, MARADÓ, MARADÓ!!
Nascio la mano de dios!!!
Cada vez que oiço esta música arrepio-me!!!
